Mídias Sociais para pessoas mortas: lembrando momentos com pessoas queridas que já se foram

A experiência com Redes Sociais muitas vezes está além de se conectar com amigos e parentes, trocar fotos, experiências, fazer network, conversar no chat, fazer negócios ou apenas passar o tempo.

Em alguns raros momentos, na Internet ou na vida fora dela, somos surpreendidos com situações ou eventos que nos proporcionam experiências (positivas ou negativas) que fogem do padrão dos acontecimentos do nosso dia-a-dia, geralmente acompanhados de fortes doses emocionais. A morte de entes queridos é uma dessas experiências, e esse artigo se propõe a analisar como isso se manifesta nas Redes Sociais.

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Profiles de Pessoas Mortas

PGM - Profiles de Gente Morta

A Comunidade PGM no Orkut (Clique para ampliar)

Em Dezembro de 2004, o então estudante de ciência da Computação Guilherme Dorta criou a comunidade do Orkut PGM – Profiles de Gente Morta, que hoje tem mais de 80 mil membros. O contato com esta comunidade é sempre surpreendente. Ela é dedicada à pesquisa e publicação de perfis de gente que faleceu, divulgando o link do perfil destas no fórum, como se fosse um cemitério virtual. (Ver imagem ao lado)

Na época, em 2004, o Orkut era uma grande febre entre os brasileiros, que haviam acabado de ultrapassar o número de americanos cadastrados, e as redes concorrentes eram muito pequenas para serem percebidas. Era como se aqui não existisse outra mídia social. Entendam isso: os próprios conceitos de Rede Social e Mídia Social se confundiam com a palavra “Orkut”. Havia até manuais de Orkut vendendo nas bancas e as pessoas estavam naquela fase de se surpreender por encontrar lá amigos que não viam há muito tempo. Imaginem o impacto de uma comunidade dessas nesse contexto.

Mensagens no Orkut para uma pessoa querida que já se foi

Mensagens no Orkut para uma pessoa querida (Clique para ampliar)

O que mais surpreende para quem visita a comunidade pela primeira vez não é a comunidade em si, mas a experiência de visitar o perfil das pessoas que morreram. É uma sensação ao mesmo tempo tristefascinante, que não é possível ser descrita, basta visitar um único perfil de uma pessoa morta para entender. Observa-se um fenômeno muito peculiar: os amigos e parentes do falecido continuam escrevendo no perfil como se a pessoa ainda estivesse viva. (Ver imagem ao lado)

Não vamos entrar no mérito de discutir se a pessoa recebe ou não a mensagem em outro plano (podemos acreditar nisso ou não), mas o fato é que é difícil não se comover ao ler os depoimentos, pois é inevitável se colocar no lugar das pessoas que escrevem para o ente querido com comentários cheios de amor e saudade, quase sempre emocionantes.

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O Problema da Morte em Mídias Sociais

Esse fenômeno não acontece apenas no Orkut, mas em todas as Mídias Sociais. O problema, nesse caso, é que as Mídias Sociais não previram isso quando foram criadas. Ninguém imaginou o que aconteceria quando seus usuários morressem. Isso cria algumas situações bem desconfortáveis.

O Facebook tem um problema bem específico, pois o perfil de alguma forma continua “vivo” e realizando ações sozinho (dependendo dos aplicativos instalados). Agora imaginem uma mãe recebendo e-mails e mensagens de um filho que faleceu num acidente de carro. Não é uma circunstância prevista pelo Facebook ou por qualquer outra rede, e estas nem têm como saber se o dono de um perfil está vivo ou não. Entretanto, dado a demanda, essa passou a ser uma questão que merece atenção e as redes não foram desenhadas para serem condolentes com famílias dos usuários falecidos.

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Mídias Sociais para Pessoas Mortas

Rede Social para homenagear entes queridos que já se foam - 1000 Memories

Capa do site da 1000 Memories (Clique para ampliar)

Percebendo essa situação, os americanos Jonathan GoodBrett HuneycuttRudy Adler se juntaram para fundar a 1000 Memories (Ver imagem ao lado), uma Rede Social para homenagear e guardar lembranças de pessoas queridas que já se foram, tudo com muito bom gosto e respeito. Eles identificaram que já existiam websites com esse propósito, como o Legacy.com e o MyDeathSpace, mas todos com aquele estilão da década de 90, cheios de anúncios de funerárias e com um ou outro serviço para arrancar dinheiro da família dos falecidos.

Os três sócios compartilhavam a experiência de perder pessoas queridas, e decidiram sair dos seus trabalhos para se juntar e construir o 1000 Memories. O site permite que a família faça o Upload de fotos, vídeos e biografia; compartilhando isso apenas entre seu círculo fechado de amigos e parentes.

O serviço ainda inclui uma ferramenta que permite criar uma Fundação com o nome do falecido e captar doações para causas da sua escolha. Recentemente, houve uma viralização desta rede, quando foi criada uma página especial para homenagear os manifestantes mortos no Egito.

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A Tendência das Mídias Sociais Temáticas

‘A construção de redes sociais segmentadas, específicas para um nicho ou empresa em particular, é uma grande tendência que começou a se formar há poucos anos. Mais do que oferecer comunidades e fóruns de discussão em torno de um tema, as Mídias Sociais Temáticas estimulam a formação de todo um ecosistema de pessoas interessadas nesse tema, que podem interagir com a rede de diversas formas além da discussão de tópicos relacionados.

Além da 1000 Memories, casos como a Jumo (rede específica para o ONGs sem fins lucrativos), a Redimob (para o setor imobiliário) e o site Talentos da Maturidade (concurso de arte do banco Santander para aposentados) ilustram bem esse tema. Em entrevista, Christiane Liberatori, Economista e CEO da Campanha Digital, empresa que desenvolve Software e Hardware para potencializar campanhas nas Mídias Sociais, fala em projeção virtual das interações humanas: “A sociedade vem digitalizando setores muito importantes da vida física. Alguns desses setores foram adaptados ou até já substituídos pelo mundo digital. Podemos citar serviços públicos em diversos países, investimentos operados online e em tempo real, e-commerce, a TV Digital e as rádios online, sem contar alguns jornais que já deixaram de veicular de forma impressa.”

Christiane disse ainda que a Campanha Digital vem construindo Mídias Sociais Temáticas para empresas e instituições e que na criação de uma Mídia Social o mais importante é procurar atender as expectativas de interatividade dos usuários.

Foi essa percepção que fez com que sua empresa, que trabalhou para Marina Silva nas eleições presidenciais, construíssem um Aplicativo Social em que a candidata atingiu resultados 5X maior do que o dos concorrentes Dilma e Serra: “Demos oportunidades aos usuários do Orkut - ainda a maior rede no Brasil - de interagir convidando amigos, fazendo upload de fotos e compartilhando conteúdo em vídeo com recados da candidata. “A comunicação da campanha atualizava por e-mail o conteúdo a ser disseminado pelo aplicativo, graças ao Publy, uma tecnologia da própria Campanha Digital. “Levamos a interatividade a sério e isso fez toda diferença”, finaliza.

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Mais Informações

Leia matéria sobre a PGM no Jornal da Impresa de Goiânia e no blog do Interney.

Assista ao Vídeo do 1000 Memories no Youtube.

Visite o site da Campanha Digital.

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Fontes:

Forbes.com

Campanha Digital

1000 Memories

Interney

Profiles de Gente Morta

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