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Campus Party: blogs profissionais, oficina de podcasting e os fakes famosos

Por Atila Velo (UseBrainz / Campanha Digital) em 22/01/2011, às 00:50h

Sexta-feira, 21 de janeiro de 2011: hoje a Campus Party recebeu Alexandre Ottoni e Deive Pazos, responsáveis pelo popular podcast Jovem Nerd, um dos maiores fenômenos da internet brasileira. Outros destaques do dia foram:

Campus Party - sexta-feira

Oficina: como profissionalizar seu blog

Thiago Mobilon, do Tecnoblog, deu várias dicas para quem busca ser um profissional na “arte de blogar”. Ele contou que entre 2007 e 2008 houve um grande crescimento dos blogs no Brasil. A ideia mais comum do que seja um blog profissional é aquele que possibilite ao blogueiro sobreviver com sua monetização. Mas, Thiago defende que o fato de ganhar dinheiro com um blog não faz dele um blog profissional.

Alguns fatores essenciais para que ele seja realmente um blog profissional são: investir dinheiro nele, pois ele é como se fosse uma empresa, com funcionários e infraestrutura de tecnologia (lição importante: na web, o custo não é zero); rigidez com o conteúdo, zelando por sua qualidade, frequência e originalidade; ter uma boa aparência; ter humildade e aprender com os profissionais mais antigos; utilizar as mídias sociais, com interação para conseguir e fidelizar público; preste atenção em SEO (search engine optimization); entre outras.

Oficina: Podcast

Gustavo Guanabara, premiado podcaster, também deu algumas dicas sobre como fazer podcasts de qualidade e sucesso. Gustavo acredita que a comunicação por meio do áudio possibilita uma aproximação muito maior entre público e produtor de conteúdo, desenvolvendo uma grande empatia e um relacionamento similar a que existe entre fãs e celebridades. Gustavo indica que o principal público dos podcasts é formado por homens jovens, mas que é possível tentar atingir outros nichos.

Para gravar seu conteúdo, “comece por baixo, mas não muito por baixo”, ou seja, não vale a pena comprar os equipamentos mais baratos para começar um trabalho – invista um pouco, mesmo se ainda estiver começando. Guanabara ainda comentou sobre os melhores softwares e canais de divulgação, como o Mevio, além de recomendações como ter bom senso, autenticidade, selecionar bons convidados, ter humildade e passar um bom conteúdo sem ser cansativo ou prepotente.

Debate: identidade e mobilização

O debate dos fakes contou com a presença de Thiago Pereira (Cleycianne), Leandro Santos (MussumAlive) e Maurício Cid (NãoSalvo). Eles contaram como começaram a ganhar fama na internet, em grande parte despretensiosamente e por acaso, e também como a “brincadeira” na internet já afetou suas vidas pessoais com processos judiciais e assédio negativo (trolls e haters, categorizou Maurício). Thiago e Maurício têm mais problemas porque seus conteúdos são mais relacionados com religião, já Leandro diz que não tem problemas por falar muito em bebidas alcóolicas e até o próprio colega Trapalhão, Dedé Santana, chegou a elogiar seu trabalho de manter a história de Mussum viva. Na metade do debate, Rafael Cortez (Bobagento) apareceu no palco também, colaborando com a discussão que envolveu até mesmo a criação de hoax, notícias falsas (satíricas) que acabam sendo levadas a sério pela imprensa.


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Campus Party:
videologgers, nichos, design e eleições

Por Atila Velo (UseBrainz / Campanha Digital) em 21/01/2011, às 01:08h

Nesta quinta-feira de Campus Party Brasil, muita coisa aconteceu. E parece que o acampamento está bacana, porque o pessoal não para! Algumas carinhas famosas na web estiveram por aqui compartilhando suas experiências como videologgers: PC Siqueira, Cris Dias e Rodolfo Castrezana. Mas não foi só isso: confira abaixo um pouco mais do que rolou ontem.

Campus Party - quinta-feira

Redes sociais verticais, com Vilmo Luiz de Freitas

Vilmo explica que as redes sociais verticais são as segmentadas, destinadas a um nicho específico – em contraposição às redes horizontais, destinadas a todos, genéricas. O início dessa categoria de plataforma deu-se com os primeiros fóruns da internet, cujos debates baseavam-se em assuntos específicos e pré-definidos. Entre as características mais importantes para essas mídias sociais de nicho, Vilmo cita a possibilidade de gerar valor real ao usuário (ganho social, amigos, auto-estima, status, etc.), utilidade (aprender, comunicar, divertir, etc.) e foco (segmentação e direcionamento de todo o conteúdo acerca do nicho escolhido). Já entre os fatores de sucesso estão a usabilidade, confiança e inovação.

Design para canais sociais

Cris Rocha esmiuçou as mídias sociais para explicar aos presentes como é possível ter o melhor design em todos os seus canais sociais. Em sua oficina, ela apresentou conceitos de padronização e defendeu a adoção de uma identidade visual coesa entre os canais, partindo sempre do layout produzido para o blog/site. Cris apresentou três regras interessantes para se ter em mente no momento da criação do design: repetição (características comuns em todos os canais), continuidade (para evitar imagens cortadas, sobreposições, etc.) e consistência (ter a identidade visual bem definida). Além disso, ela chamou a atenção para o fato de que muitas vezes o layout é tão trabalhado que, além de deixar o blog esteticamente poluído, o design tira o destaque do conteúdo. Por isso, é importante ter foco no objetivo do canal e tomar cuidado para que o design não grite mais alto do que o conteúdo.

Eleições na web

Debate com Soninha Francine (coordenou a campanha digital de José Serra), Marcelo Branco (coordenou a campanha digital de Dilma Roussef), Caio Túlio Costa (coordenou a campanha digital de Marina Silva) e Fernando Barreto, um dos criadores do interessante site Vote Na Web.

Foram destacados alguns pontos como a longa espera para poder utilizar o potencial da internet nas campanhas eleitorais, devido às restrições da legislação brasileira e os bons resultados obtidos, mesmo quando se considerarmos o trabalho realizado em 2010 como experimental.

Os pontos altos do bate-papo foram a máxima dita por Soninha Francine, “campanha eleitoral é engajamento”, o esclarecimento do não envolvimento direto do consultor norte-americano Ben Self (famoso por ter trabalhado na campanha de Barack Obama) na campanha de Dilma, a estratégia de positivismo e categorização de público de acordo com o canal na campanha de Marina e a conclusão de que a cultura de envolvimento do meio digital no processo eleitoral está apenas começando: a arrecadação de dinheiro para custear campanhas, a mobilização de militantes (virtuais e também dos que vão para as ruas) e a conquista de defensores engajados tende a crescer e ter papel cada vez mais fundamental nas próximas eleições.

E agora, sexta-feira, o que nos reserva? :)


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Campus Party: Redes Sociais e a Convergência Midiática

Por Atila Velo (UseBrainz / Campanha Digital) em 20/01/2011, às 10:01h

Mais um super debate realizado no dia 19/01/2011, durante a quarta edição da Campus Party no Brasil. Confira o que compartilharam os convidados Pedro Doria, editor-chefe de conteúdos digitais do jornal O Estado de São Paulo; Rafael Sbarai, editor do site da revista Veja e responsável pelas mídias sociais da marca; Rafael Losso, coordenador de conteúdo do Portal MTV; Daniela Pereira, gerente de conteúdo transmídia da Rede Globo; e Eduardo Arcos, fundador da empresa Hipertextual, que mantém 16 blogs super relevantes em espanhol.

Campus Party: Redes Sociais e Convergência Midiática

Pedro Doria

Conta que, por causa da tradição e reputação da marca do Estadão, eles não puderam optar pelo caminho mais fácil para conseguir visitantes, que seria apelar para tópicos popularescos como mulheres, humor, etc. Por isso, investiram em muitos blogs de qualidade para atrair tráfego e crescer. No canal Radar Econômico o Estadão desmistificou o tabu de não linkar para fora do site. Eles até dão retweet na Folha! Hoje, os blogs têm mais tráfego do que a área comum de notícias. Pedro explica que o segundo investimento em mídias sociais foi no Twitter, porque geralmente quem gosta de notícia, também gosta de acompanhá-las no microblog. Entretanto, eles não automatizaram as contas: cada editor é responsável pelos tweets e o perfil institucional tem um profissional dedicado que busca material interessante no site e também posta os furos dos concorrentes (Terra, G1, Folha, etc.). Doria afirma que eles não medem o desempenho por followers, pela audiência, mas pelo engajamento (taxa de RTs por follower) – que, segundo ele, é o mais alto dos portais de notícia no Brasil, com direito a resposta para a maior parte das interações dos usuários. O terceiro investimento foi no Facebook, que ainda está sendo explorado, mas já gera conversações e engajamento. Já o Orkut, apesar de ser a mais populosa mídia social no Brasil, não traz resultados para o Estadão e seus usuários não se interessam muito pelo que o jornal pode oferecer lá.

Pedro Doria afirma que a integração é necessária. No começo, as mídias tinham uma equipe para pegar o trabalho da redação e adaptar à internet. Agora, o processo de integração é fazer com que os jornalistas produzam direto pra internet: não basta mais sair com bloquinho pra rua, porque ele precisará trazer conteúdo multimídia também. Na teoria parece fácil, mas “na prática é um inferno”, diz Doria. Entrevista coletiva é bacana, com cobertura em tempo real e tudo mais. Mas isso, todo mundo tem: o jornalista bom e atualizado tem que esperar acabar a entrevista e ir lá atrás de mais informações que os outros não têm! Ele não pode ficar redigindo em seu notebook ou passando por telefone para a redação o conteúdo que a agência de notícias vai publicar de qualquer maneira. Essa integração acontece de editoria em editoria, porque cada uma tem um ritmo. Para convencer os jornalistas de que internet vale a pena, foi preciso mostrar que as notícias no site repercutiam. Então apostaram em dar ênfase aos autores, colocando seus nomes na home page, junto aos títulos das notícias. Doria revela que, para aumentar ainda mais o tráfego e interesse dos leitores, passaram a não segurar mais os furos para o jornal impresso: agora é publicado no site assim que possível.

Rafael Sbarai

Com apenas 24 anos de idade, trabalha na versão digital da revista Veja desde 2008. Rafael destacou-se com sua tese de mestrado que buscava entender o comportamento e assimilação de informação dos usuários em rede. Rafael informou que a Veja tem atualmente diversas editorias digitais e a mesma quantidade de jornalistas para a revista impressa e online, que estão sempre buscando a convergência entre conteúdo e o ambiente digital.

Sbarai acredita que as mídias sociais permitem às pessoas pertencer aos grupos das marcas que admiram. E pertencer a grupos, fazer parte, integrar-se, é um desejo que os humanos sempre tiveram. Para ele, ao trabalhar com o meio digital é preciso pensar menos de forma menos centralizada e mais distribuída. Rafael conta que o perfil da revista no Twitter já possui mais de 600 mil seguidores e o microblog é a terceira maior fonte de tráfego do site (apenas atrás de visitas diretas e oriundas do Google), com o Facebook em quinto lugar.

Rafael Losso

O ex-VJ, com seu jeito meio enrolado de eterno adolescente, conta que a MTV tem um histórico de linguagem moderna e inovação tecnológica. Até os anos 90, o site da emissora era visto apenas como apoio à marca, com informações sobre a emissora, seus programas e profissionais. Mas quando o vídeo chegou com força à internet, foi uma mudança de paradigma e eles precisaram se reinventar. Não queriam entrar na internet, queriam “fazer a internet” e o caminho foi prestar atenção às redes sociais e produzir conteúdo.

Rafael explica que no começo dos anos 90 a MTV buscava e revelava bandas. Hoje, a MTV digital faz isso com os blogueiros, com esse novo tipo de talento. Praticamente 50% dos VJs atuais da MTV são pessoas que vieram da internet. Por causa desse trabalho em redes sociais, apadrinhando blogueiros, Losso revela que o tráfego no portal da MTV aumentou 400% em apenas um ano. Assim eles também buscam levar o conteúdo desse pessoal da internet para o público mais fiel à televisão.

Daniela Pereira

Há 2 anos começou seu trabalho na emissora, com muita pesquisa. A primeira ação bem sucedida foi “Mil Casmurros” (premiada em Cannes). Mas, conta Daniela, depois disso eles não sabiam o que fazer. Tentaram se aproximar dos blogueiros, aproveitando a temática da novela Caminho das Índias, promovendo inclusive um encontro entre Gloria Perez e um grupo de blogueiros para entender melhor a realidade dessas pessoas. Na festa de lançamento da novela, a equipe de Daniela esperava que os blogueiros cobrissem a festa como geralmente faz a imprensa. Foi aí que eles perceberam que blogueiros não são como a imprensa tradicional. Após muitos erros e declararem-se analfabetos no assunto, Daniela explica que tiveram ajuda de três consultores para conseguir montar, em abril de 2009, a área de mídias sociais da emissora que finalmente acertou seu rumo.

Segundo Daniela, o trabalho da Rede Globo nas mídias sociais tem foco em reforçar a marca, trabalhar o relacionamento e aproximar o público que está na internet da mídia televisiva. O departamento de transmídia atua em ações de relacionamento para estender a experiência de entretenimento da televisão com conteúdo específico para o meio digital. Para cada novela há vários conteúdos diferentes, para diversas mídias sociais e no próprio site da emissora. Daniela diz que, por meio de software específico, eles monitoram 40 palavras-chave da grade de programação no Twitter, com direito a análise de sentimento e relatórios diários. A interação ainda é menor do que o desejado, sendo uma meta para 2011 aumentar esse número – porque, devido ao massivo volume de menções (são mais de 700 mil seguidores), responder e interagir pode ser algo bastante difícil de se fazer.

Eduardo Arcos

Começou em 2005 com a Hipertextual, em sua casa no México, tendo em vista o potencial dos blogs de nicho. Aos poucos foram desenvolvendo outros 15 blogs que abordam diversos assuntos como gadgets, música, carros, etc. Hoje a empresa tem uma equipe com mais de 100 blogueiros e a principal fonte de monetização é a publicidade.

Eduardo conta que inicialmente os blogueiros recebiam uma porcentagem do lucro publicitário, mas esse modelo não funcionava bem porque o valor obtido, o tempo investido e as datas de pagamentos variavam muito e não estavam em harmonia. Então passaram a pagar salários, com recompensas pelos conteúdos que geram mais buzz e retorno de mídia.

O fenômeno de blogs é mundial, mas a maior parte não consegue sobreviver com publicidade. Arcos explica que o Google Adsense funcionou por um tempo, mas depois foram montadas equipes comerciais para vender o espaço publicitário dos blogs. Outro fator positivo é que por meio de seus blogs, os anunciantes atingem todos os países que falam espanhol na América Latina, poupando tempo de selecionar blogs país por país para realizarem suas campanhas.


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Campus Party: SEO e Social Media Optimization (SMO)

Por Atila Velo (UseBrainz / Campanha Digital) em 20/01/2011, às 09:01h

Fábio Ricotta no Campus PartyFábio Ricotta, a mente por trás do blog MestreSEO, também deu várias dicas interessantes sobre como potencializar o rankeamento de um blog do WordPress e como utilizar as mídias sociais para isso.

Após uma explicação básica sobre SEO, Fábio apresentou estratégias e ferramentas, explicou suas funções e respondeu dúvidas dos presentes. Entre as dicas, podemos destacar:

  • Mudou de URL? É imprescindível fazer um redirecionamento 301, senão perderá todo o rankeamento obtido;
  • Post Rank, plugin (Firefox/Chrome) para utilizar junto com o Google Reader, ele organiza por relevância os itens e pode ajudar bastante na hora de ler seus feeds RSS e buscar inspiração para criar conteúdo;
  • Para obter novos temas e saber o que está sendo buscado, Fábio indica o recurso Suggest do Google e YouTube, que completam os termos inseridos nos campos de busca com os termos mais buscados;
  • Ubbersuggest é um serviço que facilita esse processo de sugestão de termos de busca;
  • Topsy agrega conteúdo que é popular no momento (links e imagens) e, se utilizar o parâmetro site:http://concorrente.com/, é possível descobrir quais conteúdos do seu concorrente são mais populares (se colocar a URL do seu site, saberá a popularidade do seu conteúdo);
  • Soovle fornece os termos mais buscados no dia em diferentes sites;
  • What the Trend permite acompanhar o desempenho e compreender hashtags populares no Twitter;
  • Open Site Explorer mede a popularidade e backlinks (links externos) de um site;
  • Outra ferramenta interessante com finalidade semelhante: http://www.w3tool.com/backlink/
  • Dica da plateia, o TTBR.info também lista tópicos populares na tuitosfera brasileira;
  • Responder perguntas sobre sua área no Yahoo! Respostas e deixar um link do seu blog como referência da resposta pode ajudar o SEO, obter tráfego e a navegação pelo Yahoo! Respostas também pode gerar muitas ideias para geração de conteúdo (as perguntas cujas respostas você ainda não tem em seu blog);
  • SEO Score analisa sua página em relação a palavras-chave especificadas;
  • É uma boa ideia esmiuçar seu relatório de web analytics pelos termos de busca que geraram visitas, mas que não estão diretamente relacionados às respectivas páginas, e então produzir conteúdo baseado nesses termos;
  • SEM Rush analisa seu site (e da concorrência) e indica os termos de busca em que ele é mais relevante e outras informações sobre seu potencial publicitário;
  • SEO Moz é uma ferramenta bastante completa para acompanhar o SEO de seu site;
  • Google Webmaster Tools oferece algumas ferramentas para entender melhor como o Google enxerga o seu site;
  • O servidor é muito importante: se ele cai, o usuário tentar entrar e não conseguir, ele voltará à busca e entrará em outro site. O Google perceberá e seu site perderá relevância; além disso, um servidor rápido tem bônus com o Google (mas eles não assumem);
  • Utilize canonical tags.

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Campus Party: confiabilidade da informação nas redes sociais

Por Atila Velo (UseBrainz / Campanha Digital) em 20/01/2011, às 08:10h

Campus Party - Debate sobre Confiabilidade da Informação

Confiabilidade da informação nas redes sociais

Alexandre Matias, editor do caderno Link do Estadão, trouxe uma visão quase conservadora sobre o jornalismo online. Em sua opinião, a produção jornalística não perde força com a internet, porque grandes instituições têm credibilidade que transcendem a mídia onde estão. Ele acredita que o perfil do jornalista está mudando bruscamente. Esse profissional já não pode mais ficar sentado na redação aguardando releases, ele deve ser ativo e, acima de tudo, saber analisar as informações que recebe criteriosamente para selecionar e transformar em notícia.

Sobre as notícias falsas (boatos no Twitter chegaram a virar notícia em veículos relevantes), Alexandre afirma que isso existe há muito tempo e lembra que antes da internet ganhar força, rumores sobre a morte do baterista da banda Rush foram publicadas como verdade várias vezes. Para Alexandre, a internet diminuiu as barreiras físicas entre as pessoas, havendo menos julgamento pela aparência e possibilitando que a informação seja escolhida em primeiro lugar por causa das pessoas que a produz do que pelas instituições responsáveis.

Demi Getschko, um dos pais da internet no Brasil e diretor-presidente do NIC.br, esse simpático senhor foi fundo no questionamento, chegando a indagar se é mesmo tão importante a veracidade das informações. Em seu ponto de vista, o fato de termos uma quantidade enorme de informação, úteis ou não, é algo muito positivo e classificar algo como verdadeiro ou não pode ser algo muito abstrato, conceitual, afinal, o que é “a verdade”? Demi lembrou também que na internet, muitas vezes não é preciso investir em propaganda: se alguém gosta de algum conteúdo ou aplicativo, se ele tem credibilidade, ele se multiplica e viraliza pela web.

Para Demi, redes sociais (na internet) são uma hipérbole de algo que sempre houve entre os seres humanos. Ela apenas permite reunir as pessoas de forma muito mais ampla. Assim, há muita instabilidade e naturalmente a web será cheia de boatos, mentiras e etc. Temos muito lixo e muita coisa boa ao mesmo tempo e precisamos arbitrar entre tudo isso. Um aspecto positivo para Getschko é que agora nós somos menos guiados, a informação é menos mastigada e necessitamos ter mais critério, há mais possibilidades e pensamos mais.

André Forastieri, crítico musical, editor da revista Bizz e conhecido por seu criticismo afiado, começou dizendo que jornalista tem que sair da frente do computador e ir pra rua! Para ele, os usuários confiam em aplicativos dentro das mídias sociais porque outros já o fizeram – o chamado comportamento de rebanho. André não parece muito contente com a situação da internet brasileira: com apenas um terço da população online, os grandes veículos digitais utilizam o mesmo apelo popularesco da televisão (mulheres, desgraças, futebol, etc.) para atrair os outros dois terços da população, enquanto seus modelos de negócio também se baseiam em fórmulas da velha mídia – buscar muita audiência para faturar mais com publicidade. Forastieri critica também as agências de publicidade, afirmando que elas “não entendem nada de internet e nem querem entender”, porque desejam apenas 30 segundos na televisão e anúncio de página dupla na Veja, aí compram anúncio na internet sem esmero, com base na quantidade, com preço baixo em troca de grande exposição.

André e Alexandre concordam que há um certo patrulhamento ideológico na internet, assim como fora dela. Mas, no mundo digital é mais fácil falar o que se pensa, pois há menos riscos sociais do que quando estamos frente a frente com as pessoas, há menos necessidade de diplomacia. Eles também levantam uma questão importante: o homem é bom pra criar ferramentas, como a internet e as mídias sociais. Mas elas servem pra quê? Se forem utilizadas para ouvir o consumidor, melhorar o consumo e a vida das pessoas, ótimo. Mas não podem ser apenas um meio para divulgar a marca e enfiar seus produtos goela abaixo das pessoas.

Forastieri finaliza dizendo que ganhamos super poderes de comunicação e informação, que somos uma nova versão do homem: “homem conectado”. Consequentemente, também precisamos de uma identidade secreta. Como o tempo é a nossa maior fortuna, viramos Clark Kent para aprendermos a ser mais seletivos e fazer o melhor uso possível desses superpoderes.

Ana Brambilla, mestre em Comunicação e editora de Mídias Sociais do portal Terra, trouxe um sotaque sulista ao evento paulista. Ana também comentou sobre os casos de boatos em mídias sociais que acabam virando notícia. Para ela, o jornalista que usa o Twitter tem que ser usuário E jornalista o tempo todo. Precisa ter bom senso para não replicar boatos e filtrar com cuidado as besteiras que são ditas por aí. Para evitar esse tipo de coisa, ela recomenda fazer um processo tradicional do jornalismo: a checagem da informação. Entretanto, Ana admite que a ideia do imediatismo, de dar um furo de reportagem é um fetiche muito forte, o que muitas vezes leva grandes veículos à publicação de informações sem credibilidade.

Brambilla apresentou uma visão mais ousada: ela julga ser possível fazer jornalismo com base na internet e com o apoio das mídias sociais. Obviamente, é preciso muito critério, analisar a veracidade das informações e checar por meios offline. Ela comentou também que existe uma grande preocupação em definir o que são as coisas: mídias sociais, redes sociais, jornalismo, publicidade… Mas que o público final não está tão preocupado com essa questão conceitual – eles estão em contato com informações. São os profissionais que têm dever de analisar e filtrar para esse público. Ela não vê o Wikileaks como jornalismo: ele é uma base de dados para o jornalismo e, assim como as mídias sociais, também precisa ser checado.

A jornalista acredita que o valor da recomendação vai além do comportamento de rebanho: o peso da marca ainda existe na internet, porque as pessoas que recomendam algo estão associando suas marcas pessoais àquilo que recomendam. Se meus amigos acreditam ou aprovam algo, eu também poderei acreditar porque as marcas deles têm credibilidade comigo. Ana termina afirmando que não existem especialistas em mídias sociais, que é uma área muito nova, e assim devemos juntos aprender, utilizar e descobrir esse universo!


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